zilda arns

Nasceu em 25 de agosto de 1934, em Forquilhinha-SC. Filha de descendentes de alemães, teve 12 irmãos, dos quais nove eram professores e cinco religiosos, o mais velho é o Frei João Crisóstomo, o cardeal D. Paulo Evaristo (arcebispo emérito de São Paulo) e as freiras Maria Gabriela, Maria Helena e Ilda. Em 1959, formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Paraná. Fez vários cursos de especialização em Pediatria Social, Educação Física e Sanitarismo. Casou-se aos 21 anos e teve seis filhos, o primeiro morreu logo após o nascimento. O filho Rubens é médico veterinário, Nelson é médico, Heloisa é psicóloga, Rogério e Silvia são administradores de empresas.

Começou sua vida profissional no Hospital Pediátrico César Pernetta, em Curitiba-PR. Mais tarde,  foi Diretora de Saúde Materno- Infantil da Secretaria de Saúde do Paraná. Em 1978, quando ficou viúva, foi trabalhar no planejamento e na organização dos postos de saúde na periferia, onde exerceu a função por treze anos. Muitos postos funcionaram em casas paroquiais e entidades religiosas. Em 1980, quando o cientista Albert Sabin esteve em Curitiba, ficou tão admirado com o seu trabalho que a convidou para coordenar a campanha de vacinação anti-poliomielite na cidade União da Vitória-PR, que enfrentava uma epidemia de paralisia infantil, ocasião que desenvolveu uma metodologia de trabalho própria que depois foi adotada pelo Ministério da Saúde para ser utilizada em todo o país.

Numa reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a paz mundial, o Sr. James Grant, na época, diretor executivo do Unicef, convenceu Dom Paulo Evaristo Arns, que era o cardeal arcebispo de São Paulo, de que a Igreja poderia ajudar a salvar a vida de milhares de crianças que morriam de desidratação. Em 1983, deu-se o início do trabalho, no estado do Paraná, município de Florestópolis, por apresentar uma alta taxa de mortalidade infantil (127 crianças em cada mil nascidas). Após um ano de atividades, a mortalidade infantil foi reduzida para 28 crianças em cada mil. Este resultado foi conseguido com a prevenção da diarréia através da orientação de cuidados higiênicos e preparação do soro caseiro pelas mães. A desidratação pode levar à morte devido à perda de água e sais minerais. Quando cuidadas adequadamente, a maior parte das crianças com diarréia evolui sem desidratação e, dentre aquelas que desidratam 95% podem ser reidratadas por via oral. O soro caseiro foi considerado o maior avanço na medicina do século passado devido a simplicidade de sua fórmula, com baixo custo e a quantidade de vidas salvas: 1 litro de água limpa;  3,5g de sal (uma colher de chá rasa); e 40g de açúcar (duas colheres de sopa cheias).

Dra. Zilda Arns também difundiu o uso da multimistura para o combate da desnutrição.

No dia 5 de novembro de 2004, com o apoio da CNBB, a Dra. Zilda fundou e coordenou a Pastoral da Pessoa Idosa, que possui cerca de doze mil voluntários de 579 municípios de 141 dioceses de 25 estados brasileiros, para proteger mensalmente, mais de cem mil idosos.

O trabalho de Zilda Arns como médica e administradora, especialmente na Pastoral da Criança, foi reconhecido dentro e fora do país. Dentre os prêmios:

  • Menção especial pelo UNICEF-Brasil (1988), como personalidade brasileira de destaque no trabalho em prol da saúde da criança;
  • Prêmio Internacional OPAS (Organização Panamericanade Saúde), em Administração Sanitária, em 1994;
  • Comenda da Ordem Nacional do Mérito Educativo, no grau de Cavaleiro, 1994;
  • Prêmio Humanitário 1997, do Lions Clubes Internacional, em Filadélfia-EUA;
  • Menção Honrosa Direitos Humanos (1997) do Presidente da República do Brasil; Prêmio Jean Harris pelo Rotary Club Internacional,em 1998;
  • Medalha Direitos Humanos da Entidade Judaica B’nai B’rith, em 1999;
  • Homenageada pelo Conselho Nacional de Mulheres do Brasil, em 2000;
  • Prêmio USP de Direitos Humanos, em 2000;
  • Recebeu a Comenda Ordem do Rio Branco, grau de Comendador, em 2001;
  • Em 2002 foi eleita “Heroína da Saúde Pública das Américas” pela OPAS;
  • Foi representante da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) no Conselho Nacional de Saúde e conselheira do Programa Comunidade Solidária;
  • Opus Prize(EUA) em 2005;
  • Prêmio Rei Juan Carlos de Direitos Humanos pela Universidade de Alcalá- Espanha.
  • Teve seu nome indicado para o prêmio Nobel da Paz em 2006.

O trabalho de Zilda Arns se expandiu por todo o Brasil e por mais de vinte países na América Latina, Ásia e África. Em outubro de 2009 esteve no Timor Leste, onde a Pastoral auxiliou mais de seis mil crianças.

Em 12 de janeiro de 2010,  foi ao Haiti para a apresentação da Pastoral da Criança a um grupo de religiosos de Porto Príncipe. Quando terminou sua palestra permaneceu na Igreja Sacré Coeur, para atender às perguntas da platéia, foi nesse momento que aconteceu o terremoto que destruiu a capital haitiana. O prédio desabou e destroços atingiram a cabeça de Zilda que morreu imediatamente, junto com outros religiosos que estavam presentes. Estava com 75 anos e cinco meses de idade. O seu corpo foi levado para Curitiba, transportado em carro aberto e aplaudido por uma multidão que se despediu emocionada.

“Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, devemos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los” – Trecho do último discurso Zilda Arns

 Por: Dr. Lauro Arruda Câmara Filho