Werner Forssman: pioneiro do cateterismo cardíaco

Por: Dr. Lauro Arruda Câmara Filho

Werner Theodor Otto Forssmann nasceu em Berlim, Alemanha, em 29 de agosto de 1904. O pai, Julius, era advogado e morreu em combate na I Guerra Mundial, em 1916. Nessa época, Forssmann estudava no Askanische Gymnasium e sua mãe, Emmy,  passou a trabalhar como auxiliar de escritório, pois a pensão que recebia era insuficiente para o sustento da família. Ele concluiu o curso de Medicina na Universidade de Berlim, em 1929. Trabalhou no Hospital de Caridade de Berlim  e no Hospital Municipal de Mainz. Fez treinamento em Urologia no Hospital Rudolf Virchow, em Berlim. Foi chefe de Clínica Cirúrgica no Hospital Municipal de Dresden-Friedrichstadt  e no Hospital Robert Koch, em Berlim.

Em 1929, recém-formado, desenvolveu uma teoria que ninguém aceitava, por ser supostamente mortal: a de que seria possível introduzir uma sonda por via intravenosa e conduzi-la até o interior do coração para obter medida de pressão, aplicar medicação  e pesquisas. Não obteve a autorização dos seus superiores no hospital para levar a efeito a experimentação em algum paciente. Então, convenceu a enfermeira Gerda Ditzen a ser sua cobaia humana. Ela forneceu o material esterilizado de que ele precisaria para fazer o procedimento e foi para a mesa de cirurgia, onde a enfermeira foi contida pelo médico. Mas Forssmann a enganou – resolveu fazer nele mesmo o procedimento:  anestesiou seu próprio antebraço para introduzir uma sonda uretral na sua veia braquial,  liberou Gerda,  e com a sua ajuda foi caminhando ao setor de radiologia, que ficava no andar abaixo do centro cirúrgico. Sob a orientação da fluoroscopia,  introduziu nele mesmo o cateter de 65 cm até a sua aurícula  direita e registrou em chapa de raios x. Depois, repetiu a cateterização numa paciente terminal que obteve melhora com o uso de medicamentos por essa via. Werner não obteve o reconhecimento imediato de sua descoberta. Foi punido, criticado e atacado por não obedecer às ordens de seus chefes e os regulamentos do hospital de Eberswald.

Em 1933, Forssman casou-se com Elsbet Engel, médica urologista com quem teve seis filhos: Klaus (1934), Knut (1936), Jörg (1938), Wolf (1939), Bernd (1940) e Renate (1943). Wolfd Forssmann foi quem primeiro isolou a peptídio atrial natriurético (usado em cardiologia para orientar o tratamento da insuficiência cardíaca);  Bernd  ajudou a desenvolver o litotriptor ( usado para bombardear pedras nos rins).

No início da II Guerra Mundial, serviu ao exército alemão,  chegando ao posto de Major Cirurgião. Foi preso pelos aliados e só foi libertado em 1945. Enquanto estava preso,  seus escritos sobre a cateterização cardíaca foram estudados nos Estados Unidos  por André Counand e Dickinson Richards, que desenvolveram a sua utilização para o diagnóstico de doenças do coração.

Com o fim da guerra, passou a trabalhar como madeireiro e depois como médico rural juntamente com sua esposa Elsbet  em Schwarwald, na Floresta Negra. Em 1950, começou a trabalhar na estância termal Bad Kreuznach.

Em 1954, foi laureado com a medalha Leibniz, da Academia de Ciências Germânica, e foi convidado de honra da Universidade Nacional de Córdoba, Argentina, sendo que em 1961 passou a ser seu professor  honorário.

Em 1956, na companhia do francês André Counand (24/09/1895-19/02/1988) e do norte- americano Dickinson W. Richards (30/10/1895-23/02/1973), recebeu o prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina. Nesse mesmo ano, foi indicado Professor Honorário de Cirurgia e Urologia na Universidade Johannes Gutenberg , em Mainz.   A partir de 1958,  passou a chefe da divisão cirúrgica do Hospital Evangélico de Düsseldorf. Em 1962, tornou-se membro do conselho executivo da Sociedade Cirúrgica Germânica. Também foi membro do American College of Chest Physicians,  membro honorário da Sociedade Sueca de Cardiologia, da Sociedade Germânica de Urologia e da Associação Germânica do Bem-Estar da Criança.

Faleceu de insuficiência cardíaca em Schopfheim, Alemanha, em 1º de junho de 1979, próximo de completar 75 anos.