Por:  Dr. Lauro Arruda Câmara Filho

 

Nasceu a 11 de abril de 1755, em Shoreditch, Londres, na Inglaterra. Seu pai, John Parkinson, seu grande inspirador e orientador na escolha da carreira profissional, era um boticário e cirurgião da região de Hoxton Square, Londres. Teve dois irmãos, William e Mary. Estudou latim, grego, filosofia e taquigrafia durante os estudos de medicina no London Hospital Medical College. Recebeu o diploma pelo Royal College of Surgeons. Seu maior interesse era o bem-estar do povo e suas condições de vida, principalmente dos portadores de doenças mentais.

Em 1777, James Parkinson foi condecorado com uma medalha pela Sociedade Humanitária de Londres por ter atuado auxiliando seu pai nas manobras de ressuscitação de um homem que tentou o suicídio por enforcamento.

Em 21 de maio de 1783, casou-se com Mary Dale, com quem teve oito filhos, dois dos quais faleceram na infância. Com a morte do pai, em 1794, herdou a botica e o substituiu na assistência médica em Hoxton Square.

Além do interesse pelos assuntos médicos, teve sua atenção dirigida para geologia, paleontologia e política. Em 1804, publicou o primeiro volume de “Remanescentes orgânicos do mundo antigo”; o segundo volume em 1808; e o terceiro em 1811 – nos livros, descreveu e ilustrou com seus desenhos fósseis minerais e animais. Foi um defensor dos desprivilegiados e um crítico do governo do primeiro ministro William Pitter. Simpatizante do ideário da revolução francesa (1789-1799), Parkinson escreveu panfletos políticos pregando reformas sociais radicais e o sufrágio universal, algumas vezes assinando os panfletos com o pseudônimo de “Old Huber” (velho Huber). Por participar de sociedades políticas secretas, foi investigado sob suspeita de participação num complô que tentara o assassinato do rei George III, mas foi absolvido.

Em 1805 escreveu sobre a doença gota o texto “Observações sobre a natureza da gota, sobre os nódulos das juntas e sobre a influência da alimentação na gota e no reumatismo”; e, em 1812, trabalhando com John, seu filho, também médico, foi o primeiro a descrever rotura de apêndice vermiforme como a causa de peritonite e morte de um garoto de cinco anos, alertando para a necessidade do oportuno tratamento cirúrgico dessa doença.

Em 1817, foi quem primeiro descreveu sistematicamente os sintomas da doença que leva seu nome, no trabalho “Um ensaio sobre a paralisia agitante”, mas erroneamente creditava os tremores dos pacientes a lesões na medula espinhal. Observou seis pacientes com tremores em diversas partes do corpo, principalmente mãos e braços. Décadas depois, o médico francês Jean Martin Charcot sugeriu o nome de Doença de Parkinson para a paralisia agitante.

Parkinson foi homenageado com nome de alguns fósseis como o amonite (molusco) Parkinsonia parkinsoni, o crinóide (animal marinho) Apiocrinus parkinsoni, o caracol Rostellaria parkinsoni e a árvore Nipadites parkinsoni.

Em 1824, sofreu um acidente vascular cerebral que o impedia de falar – veio a falecer em consequência da doença em 21 de dezembro, aos 69 anos. Seu corpo está enterrado na Igreja de São Leonardo, em Shoreditch, Londres.

Comemora-se o Dia Mundial de Parkinson em 11 de abril, dia de seu nascimento.

Doença de Parkinson

Doença progressiva do sistema nervoso central, afeta a capacidade do cérebro de controlar os movimentos. O grupo mais afetado por esse mal são os idosos, sendo raros os casos nos indivíduos com menos de 40 anos. Fatores de risco:  história familiar positiva, sexo masculino, traumas no crânio e exposição a certos produtos químicos (agrotóxicos).

Um grupo de células cerebrais, os neurônios dopaminérgicos, são os responsáveis pela produção de dopamina, neurotransmissor que age no controle dos movimentos finos e coordenados. O mal de Parkinson se caracteriza pela destruição destes neurônios, levando a uma escassez de dopamina no sistema nervoso central e, consequentemente, a um distúrbio dos movimentos.

A incidência da doença na população acima de 40 anos é de aproximadamente 0,3%. Estima-se que cerca de 6 milhões de pessoas em todo o mundo sofram do mal de Parkinson.

SINTOMAS

Tremores, rigidez muscular, lentificação dos movimentos (bradicinesia) e instabilidade postural são os sintomas mais comuns da doença.  Outros sintomas: expressão facial apática, redução do piscar dos olhos, alterações no discurso, aumento da salivação, visão borrada, micrografia (a caligrafia altera-se e as letras tornam-se pequena), incontinência urinária, demência, alterações do sono, depressãoansiedade, memória fraca, alucinações, psicose, perda do olfato, constipação intestinal, dificuldades para urinar, impotência sexual, raciocínio lento e apatia.

Não existe um exame complementar definitivo que forneça o diagnóstico da doença de Parkinson. A cintilografia cerebral com Trodat e a ultrassonografia transcraniana têm auxiliado nesse diagnóstico. O médico baseia-se na história clínica e no exame físico para fechar o diagnóstico, o que torna importante a experiência do especialista. Em geral, para o diagnóstico é preciso identificar 2 dos 3 principais sintomas motores (tremor em repouso, bradicinesia ou rigidez), associado a uma melhora destes com o uso de medicamentos específicos para doença de Parkinson.

Após 10 anos de diagnóstico, cerca de 80% dos pacientes já apresentam algum grau de demência e de incapacidade física.

TRATAMENTO

Não há cura para o mal de Parkinson, mas existem medicamentos que são eficazes no controle dos sintomas. Além dos medicamentos, alguns tratamentos ajudam no controle: fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e até cirurgia. A prática de exercícios aeróbicos regulares é importante para retardar os sintomas motores, assim como exercícios para melhorar o equilíbrio, flexibilidade e força, como Tai chi chuan, natação e hidroginástica. Uma dieta rica em fibras, hidratação adequada e exercícios regulares também podem ajudar a reduzir a constipação associada ao Parkinson.