CIRURGIA ROBÓTICA

Cirurgia Robótica – O  Hospital do Coração de Natal já está se preparando para a realização deste tipo de cirurgia.

Dos dias 26 a 28 de julho, foi realizado no auditório da Nutrivida,  em Natal,  o  2º CURSO INTERNACIONAL DE CIRURGIA DE ESÔFAGO E ROBÓTICA, que teve o apoio do hospital.

Durante o curso: Dr. Fernando Lisboa; Nédia Akyco, enfermeira-chefe do Centro Cirúrgico do HC; Dr. Nelson Solano, diretor-administrativo do HC; e Dr. Roberto Galvão, cirurgião

O curso, que contou com tradução simultânea,  foi coordenado pelo cirurgião Fernando Lisboa, que também foi um dos palestrantes – sua palestra teve como tema “As complicações da cirurgia da doença do refluxo e como evitá-las”.O evento, que  teve duração de três dias e contou com palestrantes brasileiros e internacionais, foi destinado à médicos e estudantes de medicina.

Também participaram como palestrantes o Dr. Ricaro Abdalla, do Instituto do Câncer de São Paulo, e o Dr. Sudish Murthy, da Cleveland  Clinic, de Ohio,/EUA, que abordou o tema A lobectomia assistida por robótica, esofagectomia minimamente invasiva e a alteração neuromuscular hipertônica do esfíncter do esôfago”.

O que é Cirurgia Robótica?

A cirurgia robótic​a pode ser co​nsiderada uma evolução da cirurgia minimamente invasiva laparoscópica. Ou seja, o cirurgião estabelece os acessos laparoscópicos e introduz a câmera e os instrumentos de trabalho no interior do corpo do paciente por meio de pequenas incisões feitas pelo robô.

Vantagens em relação à cirurgia convencional (aberta)

  • Menos invasiva/Cortes menores.
  • Reduz sangramentos, dores e risco de infecção.
  • Recuperação mais rápida do paciente.
  • Menor tempo de internação.

Vantagens em relação à cirurgia laparoscópica

  • Mais precisão nas cirurgias em locais de difícil acesso, como nas regiões de pelve, diafragma e saída do esôfago.
  • Melhor ergonomia — O cirurgião fica sentado em posição confortável, o que ajuda nas cirurgias longas.
  • Mais intuitivo — O robô reproduz movimentos similares aos do cirurgião. Na laparoscopia convencional, o mecanismo de movimentação dos instrumentos cirúrgicos é inverso. O cirurgião movimenta os dedos para a esquerda e a pinça se move para a direita.
  • Visão tridimensional para os cirurgiões.

Segurança

O robô não faz nada sozinho. Qualquer movimento realizado por ele foi feito pelo cirurgião no console. No entanto, diante de ações imprevistas pelo cirurgião, a tecnologia robótica aciona um comando de segurança que trava provisoriamente a máquina, evitando danos ao paciente. Se o médico tirar o rosto da tela de controle, o robô também para automaticamente.

Por serem mais complexa​s, as cirurgias robóticas seguem também um protocolo de checagem de todos os itens de segurança a cada uma hora de cirurgia, aproximadamente.

HEPATITES VIRAIS

hepatites virais

O  Dia Mundial de Luta contra as HEPATITES VIRAIS é comemorado em  28 de julho. O termo “hepatite” significa inflamação no fígado, e pode ter diversas causas: dengue, ingesta alcoólica, deposição de gordura no fígado, uso de medicamentos e drogas ilícitas, auto-imune (quando as defesas do corpo passam a atacar seus próprios órgãos), infecções bacterianas, fúngicas, por protozoários, febre amarela, citomegalovírus e  outras condições mais raras.

As hepatites mais conhecidas são as provocadas por vírus. Os principais são:

  • vírus da hepatite A
  • vírus da hepatite B
  • vírus da hepatite C
  • vírus da hepatite D
  • vírus da hepatite E

Hepatite A

A forma de transmissão é através de água ou alimentos contaminados. Costuma acometer crianças e adultos jovens, e muitas vezes não apresenta sintomas.

Quando a doença apresenta sintomas, as pessoas acometidas podem ter  febre, mal estar, dor de cabeça, perda de apetite, dor abdominal, náuseas e vômitos, urina escura, fezes claras e olhos amarelados.

Tratamento: não é necessária a administração de medicamentos, a Hepatite A  tende a evoluir para a cura sem complicações em quase todos os casos. Em casos muito raros, pode ocorrer hepatite fulminante, forma grave da doença.

É recomendado repouso e evitar uso de medicamentos que possam inflamar mais ainda o fígado. Há vacina para prevenir a doença.

Hepatite B

É transmitida através de relações sexuais e contato com sangue de pessoas portadoras do vírus, tais como: compartilhamento de seringas, alicates de unha, lâminas de barbear ou de depilação e qualquer outro objeto cortante.

Assim como hepatite A, a maioria dos casos são assintomáticos. Contudo, essa forma da doença pode cronificar (durar mais de 6 meses) e, se não tratada, levar ao surgimento de cirrose e câncer.

O tratamento medicamentoso deve ser feito nas formas crônicas que se enquadrem nas recomendações do Ministério da Saúde. Existe vacina para essa doença.

Hepatite C

É adquirida principalmente por contato sanguíneo, assim como a hepatite B e raramente por relações sexuais, exceto em pessoas com alguma doença sexualmente transmissível, sobretudo sífilis e Aids.

É a que tem a maior tendência a cronificar, e também pode levar à cirrose e câncer.

Felizmente, o tratamento dessa doença evoluiu muito nos últimos anos e a maioria das pessoas conseguem ficar curadas. Não há vacinas.

 Hepatite D

O vírus D só acomete pessoas que já tenham hepatite B e no Brasil se restringe à região amazônica.

 Hepatite E

O vírus E se transmite da mesma maneira que o vírus A, sendo bastante raro em nosso meio. O Rio Grande do Norte ainda não tem nenhum caso registrado.

Em todas as formas de hepatite é de suma importância procurar atendimento médico para acompanhamento. Como já foi dito, é muito comum que pessoas portadoras de hepatites não apresentem nenhum sintoma, por isso, a consulta a um médico especializado e a realização de exames são essenciais para o diagnóstico precoce, capaz de evitar complicações.

PREVENÇÃO

Como a hepatite A é transmitida por alimentos e pelo contato pessoal, a higiene é o principal meio de prevenção: lavar bem as mãos após ir ao banheiro e antes de comer, lavar bem alimentos que serão consumidos crus e cozinhar bem os demais, principalmente frutos do mar e carne de porco.

Já as demais hepatites virais são transmitidas pelo sangue ou pelo contato sexual, por isso, é importante não compartilhar objetos de uso pessoal, como giletes, escovas de dentes, utensílios de manicure, além de utilizar preservativos durante as relações sexuais, e ter certeza de que materiais utilizados para fazer tatuagens e para a colocação de piercings são descartáveis.

Vacinas

Também fazem parte das ações para prevenção das hepatite A e B. Nas crianças, primeira dose da vacina de hepatite B é dada ao nascer, sendo repetida aos 2 e aos 6 meses.

Já a vacina para hepatite A é aplicada quando a criança completa 1 ano, e o reforço ocorre com 18 meses.

No caso de adultos, é preciso tomar as 3 doses de hepatite B e as duas de hepatite A para que a vacinação possa ser considerada completa.

 

Dr. André Prudente – infectologista

 

 

 

O que é encefalite?

Dr. André Prudente – Infectologista

O sistema nervoso central é dividido em encéfalo e medula espinhal, protegidos pelo crânio e coluna vertebral, respectivamente. Por sua vez, o encéfalo é formado pela associação do cérebro, cerebelo e tronco cerebral. Encefalite é o termo que designa inflamação do encéfalo, podendo ser acompanhada de concomitante acometimento de meninges (meningoencefalite) ou de medula (encefalomielite).

É uma condição clínica complexa, com potencial de gravidade e considerável letalidade. Seu manejo acaba sendo um desafio, já que o diagnóstico diferencial é amplo, muitas de suas causas não possuem tratamentos específicos, pode ter progressão rápida e, frequentemente, há necessidade de cuidados em unidades de terapia intensiva.

Acomete pessoas de qualquer faixa etária, mas tem predileção pelos extremos de idade (crianças e idosos). Nos Estados Unidos da América, estima-se que ocorra anualmente 1 caso de encefalite a cada 100 mil habitantes.

Ainda que os vírus sejam os maiores responsáveis, diversas são suas causas. Vejamos as principais:

1- Não-infecciosas:

autoimunes – encefalomielite aguda disseminada, anti-NMDAR, anti-VGKC.

neoplásicas ou paraneoplásicas (tumores malignos) – encefalite límbica.

vacinas – raramente.

2- Infecciosas

virais – herpes vírus, enterovírus, caxumba, sarampo, influenza, adenovírus, vírus da coriomeningite linfocítica, Sabiá, Lassa, dengue, chikungunya, Zika, Ebola, Coxsackie, HIV e outros;

bacterianas – Treponema pallidum (sífilis), Listeria monocytogenes, Mycobacterium tuberculosis, Mycoplasma pneumoniae

fungos – Candida sp, Criptococcus neoformans, Aspergillus sp.

protozoários – toxoplasmose

Apesar de todas essas causas, a encefalite não é uma apresentação habitual da maioria dos agentes etiológicos. Costuma ser uma complicação rara de doenças comuns, exceto nos vírus que primariamente acometem o encéfalo, como por exemplo, os vírus da raiva e da encefalite japonesa. Para os outros vírus, encefalite é complicação felizmente rara. Ademais, as principais causas não são de transmissão interpessoal.

Sendo assim, surtos de encefalite dificilmente ocorrerão por agentes cuja manifestação clínica primária não seja no sistema nervoso central. Epidemias de dengue ocorrem e são frequentes no Brasil. Quantos mais casos dessa virose surgirem, maior a chance de casos raros serem diagnosticados, inclusive encefalite. Todavia, é pouco provável uma epidemia de encefalite por esta arbovirose.

Não há marcadores clínicos ou laboratoriais que indiquem predisposição para desenvolver encefalite.

QUADRO CLÍNICO

Os sinais e sintomas vão depender da causa. Nas virais, os pacientes podem apresentar febre, mal estar, dor de cabeça intensa, convulsões e sinais focais (como boca torta, diminuição da força em um lado do corpo, dificuldade de falar). Pode também apresentar os sintomas da doença de base, como dengue, gripe, herpes, etc. Adultos e, principalmente, idosos com varicela podem desenvolver encefalite após as lesões cutâneas típicas da catapora.

A característica clínica mais importante é o rebaixamento do nível de consciência. Pode começar com confusão mental e evoluir para sonolência excessiva e estado comatoso. A evolução tende a ser rápida. Em alguns casos, a doença leva ao coma em poucas horas.

Quando as meninges também estão inflamadas, rigidez de nuca e outros sinais pesquisados pelo médico podem estar presentes (sinais de Brudzinski, Kernig e Lasègue).

Os sintomas são todos inespecíficos e devem ser analisados em conjunto e criteriosamente pelo médico para haver suspeita clínica. Alguns achados podem sugerir uma ou outra causa. Veja a tabela abaixo:

DIAGNÓSTICO

História clínica e exame físico bem feitos são as principais ferramentas para o médico diagnosticar encefalite. Exames de imagem, principalmente a ressonância magnética do crânio, podem ser úteis.

O mais importante exame complementar para confirmação diagnóstica é a coleta do líquido cefalorraquidiano (LCR). Para isso, há a necessidade de punção lombar por médico habilitado. Nesse fluido, pode-se dosar a quantidade e o tipo de células, além da glicose, proteínas e outros marcadores. O isolamento viral é capaz de demonstrar se um vírus foi a causa da doença. Infelizmente, poucos são os laboratórios no país habilitados para isolar vírus no LCR. Sendo assim, os resultados são demorados e tem mais importância epidemiológica do que para decisão terapêutica.

Exames de sangue são de pouca valia para o diagnóstico.

A despeito de todo aparato tecnológico, em até dois terços dos casos a causa permanece desconhecida.

Punção lombar para coleta de líquido cefalorraquidiano

TRATAMENTO

O tratamento é de suporte na maioria dos casos. Ou seja, manter pressão arterial estável, boa oxigenação dos tecidos, manutenção de níveis adequados dos eletrólitos (sódio e potássio, por exemplo), anticonvulsivantes quando necessário. Frequentemente, cuidados em unidade de terapia intensiva são requeridos.

Em casos específicos, como na encefalite por herpes vírus, antivirais são de grande importância para o tratamento. Em encefalites autoimunes, imunoglobulina e/ou imunossupressores podem ser essenciais.

PREVENÇÃO

Por ser uma doença com inúmeras causas, não há uma maneira específica de prevenção. Para os agentes imunopreveníveis, como caxumba e sarampo, as vacinas são suficientes. Para doenças autoimunes, não se conhece formas de se evitar.

Para dengue, Zika, chikungunya e outras arboviroses, a eliminação dos criadouros de mosquitos é a principal medida, O uso de repelentes é útil, mas confirma a falência da sociedade em controlar o vetor (mosquito). Ninguém sabe ao certo qual será a consequência de se aplicar essas substâncias na pele diariamente e por tempo prolongado. Se todos aqueles que ouvissem ou lessem mensagens sensacionalistas em redes sociais também procurassem e eliminassem possíveis focos de mosquito (água parada), nossos infantes estariam bem mais protegidos…

REFERÊNCIAS

1- Silva Marcus Tulius T. Viral encephalitis. Arq. Neuro-Psiquiatr. [Internet]. 2013 Sep [cited 2018 July 17] ; 71( 9B ): 703-709. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X2013001000703&lng=en. http://dx.doi.org/10.1590/0004-282X20130155.

2- Ross, Karen L. Encephalitis. Handbook of Clinical Neurology, Vol. 121 (3rd series) – Neurologic Aspects of Systemic Disease Part III, pag. 1378-1381. Elsevier, 2014.

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4- Britton, P. N., Eastwood, K. , Paterson, B. , Durrheim, D. N., Dale, R. C., Cheng, A. C., Kenedi, C. , Brew, B. J., Burrow, J. , Nagree, Y. , Leman, P. , Smith, D. W., Read, K. , Booy, R. , Jones, C. A., , , , , , and , (2015), Consensus guidelines for encephalitis. Intern Med J, 45: 563-576. doi:10.1111/imj.12749.

5- Venkatesan A. Epidemiology and outcomes of acute encephalitis. Curr Opin Neurol. 2015 Jun;28(3):277-82.

6- Armangue, Thaís, Frank Leypoldt, and Josep Dalmau. “Auto-Immune Encephalitis as Differential Diagnosis of Infectious Encephalitis.” Current opinion in neurology 27.3 (2014): 361–368. PMC. Web. 18 July 2018.