Corrida: cuidados antes de começar a prática

Na rua ou na esteira, sozinha ou em grupo, a corrida é um dos esportes que mais conquista adeptos em todo o mundo – mas antes de comprar um tênis e sair por aí, são imprescindíveis alguns cuidados.

Existe idade mínima e máxima para iniciar a prática da corrida?

A partir dos 14 anos um adolescente pode iniciar treinos de corrida sem exageros, sempre respeitando suas limitações e com as devidas avaliações de um cardiologista e de um ortopedista. Antes disso, as corridas devem ser recreativas, com o objetivo de inserção em alguma atividade física de grupo, sem  foco em performance de competição.. Também não existe idade máxima para iniciar a prática da corrida, desde que as pessoas sejam orientadas  e  estejam autorizadas por  profissionais da saúde e com todos seus exames em dia (check-up clínico e ortopédico, exames ergométrico de esforço ).

Quais os benefícios que a corrida proporciona?

Reduz a gordura corporal; melhora a ansiedade e tensão; melhora da qualidade do sono e da  capacidade cardiovascular e pulmonar; pode diminuir os níveis de colesterol e da pressão sanguínea; melhora a força de membros inferiores, auxilia na redução da osteoporose e melhora o funcionamento intestinal.

A musculação deve ser feita pelos adeptos da corrida para evitar o risco de lesões?

A musculação é importante pois dá  ao corpo uma melhor estrutura muscular para suportar todo o impacto, preserva as articulações e fortalece também os ossos. Para aqueles  que não gostam desta modalidade, é válido também experimentar outras como o  pilates,  o treinamento funcional,  o treinamento de fortalecimento muscular  com elásticos, agachamentos, treinos  em areia etc.

Qual a diferença entre correr ao ar livre e na esteira?

Correr ao ar livre requer um maior esforço que na esteira, pois esta reduz em até dez por cento impacto,  o que a torna mais fácil. Ao ar livre deve-se  considerar o atrito com o vento, as irregularidades do terreno, a atenção dada aos imprevistos de estar correndo em ambiente externo, o risco de acidentes de trânsito e a violência urbana.

MARATONAS

O médico Nabil Ghorayeb, doutor em Cardiologia da FMUSP e especialista  em  Cardiologia  e Medicina do Esporte, dá algumas orientações para os atletas que pretendem correr maratonas em seu site CardioEsporte  (www.cardioesporte.com.br):

 

Maratona é atividade de risco?

Numa corrida na qual a frequência cardíaca (FC) se mantém acima de 80-85% da frequência máxima (inclusive no treinamento), e ainda, por tempo prolongado (duas a seis horas), há um esforço físico muito longo e vigoroso do organismo como um todo, o que pode levar alguns a riscos graves (até mesmo letais). Esta modalidade de exercício é permitida para atletas treinados e com avaliação médica.

Quem tem risco aumentado de parada cardíaca/morte súbita durante/após a corrida?

  • O esportista com alguma doença cardíaca prévia e qualquer doença infecciosa( mesmo uma virose não totalmente curada).
  • Aquele com algum sintoma cardiopulmonar durante os treinamentos ou na corrida (dores no peito, palpitações, tonturas,  falta de ar).
  • Os que desidratam com facilidade e não repõem adequadamente as perdas de líquidos e dos eletrólitos como o sódio e potássio.
  • Usuários de esteroides anabolizantes, termogênicos e os  energéticos não autorizados ou proibidos pela ANVISA.

Como se prevenir de problemas de saúde antes de correr maratonas?

  • Só devem participar de maratonas aqueles que estejam na ocasião da corrida em perfeitas condições de saúde.
  • Nunca tomar anti-inflamatórios sem prescrição médica. Além dos efeitos colaterais no coração e vasos, há enorme risco de piora das lesões ortopédicas, porque mascaram a dor, o aviso de algo anormal.
  • Devem evitar participar de maratonas os que não puderam se preparar adequadamente para este tipo de prova tão desgastante. Em todas as provas mundo afora existe a opção de correr menores distâncias.
  • Os corredores amadores devem limitar a quantidade de participações em maratonas. O recomendado, do ponto de vista médico, são duas maratonas/ano no máximo. Em qualquer idade, em especial acima de 45 anos, devem fazer avaliação multiprofissional minuciosa, seis meses antes da maratona, incluindo o teste ergométrico até a exaustão, com cardiologista.
  • Seguir rigorosamente as orientações nutricionais, com profissional da área, para o uso de isotônicos/carboidratos e alimentos adequados para esse tipo de corrida.