Notícias falsas na internet podem resultar em mortes a longo prazo

O alerta é da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), e trata das notícias falsas e sem embasamento científico que estão que estão circulando na internet, segundo as quais o alto índice de colesterol não seria fator de risco para o infarto.

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“Esse tipo de notícia pode levar o público a baixar a guarda contra o maior fator de risco para o infarto (IAM) e um dos mais importantes para o acidente vascular cerebral (AVC). Juntas, estas doenças respondem por cerca de 2/3 das mais de 350 mil mortes cardiovasculares que ocorrem no Brasil a cada ano”, disse o presidente do departamento de Aterosclerose da SBC, José Rocha Faria. “O infarto é causado por placas de gordura que bloqueiam a artéria coronária e cujo principal componente é o colesterol”, ressalta o presidente da SOCESP, Francisco Fonseca.

A SBC e a Socesp, que congregam milhares de cardiologistas brasileiros, lembram que após mais de duas décadas de intensa divulgação dos fatores de risco cardiovasculares, começam a ser colhidos os primeiros resultados. O número de mortes por infarto é elevado, notadamente nas regiões Sul e Sudeste do país, principalmente nas grandes cidades e é esperado que ainda se mantenha elevado até que consiga maior controle de fatores de risco, dos quais o principal é a redução de colesterol. Justamente para dar aos médicos a informação precisa do que fazer em relação ao colesterol, o departamento divulgou recentemente a V Diretriz Brasileira para Tratamento das Dislipidemias (colesterol fora do nível recomendado) e Prevenção da Aterosclerose.

A nova diretriz recomenda não apenas o acompanhamento do nível de colesterol, mas de suas frações, especialmente do chamado “colesterol ruim”, o LDL, cujo índice ótimo geralmente menor do que 100 mg/dL, ou ainda mais baixo para pacientes de maior risco.

A manifestação da SBC e da Socesp vem em resposta a um vídeo divulgado nos últimos dias no You Tube. Nele, um cardiologista, não  filiado à SBC e nem à Socesp, dá a entender que a valorização do nível de colesterol para prevenir o infarto é decorrência de uma campanha do “medicamento mais vendido na história”, uma estatina recomendada para baixar o colesterol. As entidades dizem que esta afirmação é mentirosa e as demais afirmações do vídeo também não honram a verdade. Um exemplo é a afirmação de que os japoneses e os esquimós comeriam muita gordura saturada e nem por isso costumam ter infarto. O que não é verdade. No Japão, a base da alimentação é o arroz, constituído principalmente de carboidrato, além de algas e peixes, com baixo consumo de carnes; enquanto o LDL médio dos esquimós é abaixo de 70.

A SBC e a Socesp insistem também que a base de toda a prevenção cardiovascular é a adoção de um estilo de vida saudável, com dieta adequada, prática corriqueira de atividade física, cessação de tabagismo e manutenção de peso corpóreo adequado. A opção medicamentosa para controlar o colesterol é feita em casos específicos, enquanto a recomendação básica é que se evite o alto nível de colesterol com boa alimentação. Entretanto, nos pacientes de maior risco cardiovascular, em especial aqueles que já tiveram manifestação de entupimento das artérias ou com múltiplos fatores de risco, a redução do LDL com o uso de estatinas está claramente associada à redução do risco de morte súbita, IAM e AVC. Lembrando que artigos sem base científica, como, no passado, o suco de berinjela ou a ingestão de água oxigenada, que hoje fazem parte do folclore, causaram prejuízo à saúde de muita gente.

Finalmente, a SBC e a SOCESP recomendam que, para esclarecer suas dúvidas, os pacientes consultem seus cardiologistas e acessem os sites das instituições: www.cardiol.br e www.socesp.org.br.

Fonte:  www.socesp.org.br